E quando se está do lado negro da força?

Por Cayo Vinícius

Muitos profissionais de Relações Públicas são contratados para assessorar uma empresa na construção de uma reputação sólida. Horas e horas de trabalho árduo estão envolvidas neste processo. Quase sempre é necessário fazer uma grande reforma na empresa: criar ou melhorar o canal de relacionamento com os públicos de interesse, estar sempre de olho na qualidade dos produtos ou serviços, buscar inovação e muitas outras características. E nada disso é garantia de sucesso, o mercado é extremamente competitivo e nem sempre é possível saber os passos do concorrente.

Toda esta competição gera algumas ações não éticas. Há um certo tempo, foi descoberto que o Facebook contratou a Burson-Marsteller, multinacional de relações públicas, para plantar notícias falsas e negativas sobre o Google. A ideia era soltar informações sobre supostas invasões de privacidade cometidas pelo buscador. O esquema começou a ser descoberto quando o pesquisador Christopher Soghoian, que também atua como blogueiro, divulgou uma oferta que recebeu para escrever um artigo com sua opinião sobre violações à privacidade dos usuários supostamente cometidas pelo Google.

A oferta, enviada via e-mail por John Mercurio, funcionário da Burson, incluía um documento com várias informações negativas sobre o serviço Social Circles, do Google. Mercurio ainda afirmava que poderia ajudar na elaboração do artigo e na publicação em algum veículo de grande popularidade, chegando a citar o jornal “The Washington Post” e alguns sites de alta repercussão.

A motivação para este artigo veio quando vi, no Facebook, a divulgação feita pela página ‘O Planeta Pede Socorro’ em que eles acusam duas marcas de sabão em pó de testar seus produtos em animais. Devo alertar que não compete a mim  julgar se tal informação é verdadeira ou falsa. O que me chamou a atenção foi a quantidade de curtidas e compartilhamentos da imagem. E se tudo aquilo fosse uma mentira, plantada por um dos concorrentes? Com a velocidade e impacto da internet, aquela acusação poderia destruir anos de esforços e mudar a opinião de milhares de consumidores sobre o produto.

Pode parecer que este tipo de serviço seja extremamente incomum, mas não é. Sabotar a concorrência, mesmo que com pequenos atos, é muito freqüente e hora ou outra descobrimos os ocorridos. Cabe a pergunta: se você, enquanto profissional de Relações Públicas, recebesse uma proposta para ajudar a manipular a opinião pública, qual seria sua ação?

Se parecer algo muito pesado divulgar dados negativos, lembre-se que espalhar qualquer informação não-verdadeira já é errado. A Edelman também já se encrencou há certo tempo em um caso favorável ao Wal-Mart. Eles foram responsáveis por inventar um casal que circulava pelos EUA e que, durante as viagens, fazia paradas nos estacionamentos da rede de supermercados. Esse casal, que nunca existiu, publicava em blogs falsos textos favoráveis ao Walmart, que na época estava enfrentando crises motivadas pelos baixos salários.

 Vale ressaltar que, independente da profissão, fazemos um juramento em que assumimos atuar sempre de maneira ética, não aceitando prestar serviços em que violamos os nossos próprios princípios. Por isso, jamais se deixe levar por retornos que possam parecer excelentes em curto prazo. O profissional que age de maneira anti-ética mancha a si mesmo.

A polêmica imagem

 

 

 

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