Conversa com Alexandre Herchcovitch

Participei hoje, 20 de junho de 2012, de uma conversa com o estilista Alexandre Herchcovitch, promovida pelo SENAC como parte de um evento chamado ‘Tempo e Criação – a criatividade na prática, o olhar do criador’.

A conversa contou uma pontualidade de dar inveja em qualquer inglês. Exatamente as 19h30 Alexandre entrou e deu início ao bate papo, que foi encerrado as 20h30, nem um minuto a mais nem a menos. Um aspecto que me chamou a atenção foi o estilo dele: calça escura, camiseta branca e moletom também escuro, com cara de velhinho. Tão simples que chega a ser marcante.

Durante a conversa, que ocorreu em dois blocos, um com a participação de uma mediadora e outro com perguntas feitas pela platéia, podemos perceber que Herchcovicth não caiu de paraquedas onde está, conseguimos ver a paixão pela moda que foi despertada desde pequeno e a grande criatividade para criação. Em alguns momentos, ele lembra que seu processo começou com a observação da mãe, que mais tarde lhe ensinou o básico da modelagem, e de seus inúmeros passos fora e dentro da área.

O assunto fluiu com muita naturalidade e foi bem bacana. Cito abaixo algumas observações minhas e pontos que acho interessante comentar.

Humildade: seja uma tática de Relações Públicas ou pura personalidade, o estilista se mostrou bastante simples, buscando fugir um pouco da glamour que se imagina na moda. É possível enxergar isso desde o seu modo de vestir até suas falas, em que ele não tenta soar grandioso e contempla a importância do trabalho de sua equipe.

Todo vapor: notei certa animação que beira o hiperativismo. Percebemos que o Alexandre não é o tipo de pessoa que consegue tirar longas férias ou ficar parado por muito tempo. É necessário sempre estar fazendo algo, é o tipo de pessoa que se ficar parada começa a analisar todo o ambiente e as pessoas que o compõe, fazendo observações importantes que poderão ajudar futuramente. Talvez isso seja causado pela grande demanda de trabalho, que exige que ele seja multitarefas e tenha um pensamento holístico, embora eu acredite que é algo que veio desde muito antes e que contribuiu para o sucesso atual dele.

Equipe: outro aspecto bacana foi contar sobre a equipe. Dentro de sua marca, existem mais cinco estilistas que também são responsáveis pelas criações de roupas. Ele destaca que o que vai para a passarela é 1/3 ou até menos do que a coleção inteira, que é feita para as lojas. Ele reconhece a grande importância que cada profissional tem em todo o seu processo de criação e se mostra bastante rigoroso quanto à qualidade. Ele conta que seus atuais estilistas eram estagiários que foram crescendo profissionalmente, conta ainda que durante o treinamento os faz passar seus desenhos a limpo por no mínimo um ano, para que eles consigam incorporar os traços de Alexandre e, quando começarem de fato um processo de criação, trabalhem todos como um corpo só, sem diferenciar quem teve tal ideia ou foi responsável por determinada roupa.

Tendências: ele revela ser um profissional antenado, que se atualiza sempre das tendências, mas que prefere não utiliza-las em suas criações. Ressalta que em poucos casos fez uso das mesmas e, ainda assim, não de forma literal. Cita como exemplo quando as mulheres começaram a usar novamente as saias longas, ele e sua equipe incorporaram três vestidos de festa longos na coleção.

Criação: tudo tem características peculiares e uma coleção pode ser inspirada em qualquer coisa. Ele se mostra muito entendedor do que faz, sendo quase um mago da mistura de estampas e tecidos. Alexandre aproveita o gancho dos tecidos para contar que os busca em território nacional, mas que compra em outros países sem culpa alguma quando não encontra. É uma carência de mercado, assim como as costureiras, que estão se tornando raras.

Licenciamentos: Alexandre deixa claro seu ponto mercadológico, a necessidade de vender, e conta suas experiências com os licenciamentos, que vêm trazendo muito sucesso. Ele cita a parceria com a Zelo, que vende 70 mil peças de sua linha assinada por mês e também a com a Melissa, que vendeu mais de um milhão de sapatilhas assinadas e que isso é uma tendência, que permite que classes mais baixas consigam ter acesso aos produtos do estilista sem precisarem gastar fortunas. Ressalta, porém, que nem tudo são flores e que já teve fracassos com licenciamentos.

Lojas: a marca conta apenas com duas lojas próprias no Brasil, uma em São Paula e outra no Rio de Janeiro, a maioria dos produtos é comercializada em multimarcas ou por meio dos licenciamentos. Embora não seja o foco atual,  também vendem peças no exterior.

Críticas: Alexandre se mostra sempre aberto a críticas, mas destaca algo que costuma dizer aos seus próprios estilistas: cada um tem um gosto e não é possível definir o que é certo e errado. Dessa forma, quando a crítica é fundamentada, se torna muito bem aceita.

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