Roberto Ethel e Helena Augusta explicam as muitas possibilidades do trabalho como assessor de imprensa

O mercado de comunicação em moda não vive apenas de algumas grandes editoras de moda ou inúmeras blogueiras! Em torno destas áreas glamourosas que o grande público adora, existem outras profissões mais conhecidas nos backstages e nas rodas especializadas, como a assessoria de imprensa.

Responsáveis pela divulgação de uma marca junto a diferentes veículos e jornalistas, um assessor de imprensa participa hoje também da organização de eventos, conduz produções de moda, ajuda a desenvolver ações comerciais e às vezes vira até babá de fashionista.

Conversamos então com Roberto Ethel, diretor de jornalismo e planejamento estratégico da Mkt Mix, e Helena Augusta proprietária do escritório que leva seu nome, sobre a profissão e suas particularidades.

Mercardo atual
Indagados sobre a profissionalização do segmento e do mercado hoje, ambos acreditam que o boom em assessorias começou no início da última década. “A moda teve uma grande salto em profissionalização no Brasil. Isso se acentuou muito a partir da implementação de um calendário. E em relação as assessorias, isso ganhou força a partir de 2000”, considera Ethel, sobre quando abriu o próprio negócio. Roberto começou a trabalhar em assessoria com foco em moda como sócio de uma empresa que fazia o concurso de modelos Look of the Year. Depois, foi atender a M.Officer em outra empresa de assessoria, e foi convidado para cuidar sozinho da imagem da marca, onde foi diretor de comunicação até 2001.

Helena tem uma experiência um pouco mais recente: ao retornar de Nova York onde estudou Moda no FIT e na Parsons, começou trabalhando na Santista Têxtil e Cia. Marítima até resolver ter seu próprio escritório aberto em 2000, “comecei com um cliente e daí a coisa foi evoluindo”, recorda. “De uns cinco anos pra cá todo o mercado de comunicação se profissionalizou ao ponto de muitas assessorias de imprensa que começaram com moda passarem a atender empresas de diferentes segmentos. Acho que o famoso glamour que a moda transmite vem seduzindo clientes de diversas áreas!”.

Produção
Para ambos, conhecimento em moda é fundamental para o segmento de produção, uma das áreas de atuação nesta carreira que ajuda a inserir as marcas nos editoriais. “Expertise é fundamental, principalmente se pensarmos em um trabalho com consistência e planejamento. Moda é coisa muita séria, não é brincadeira. E produção é um dos itens mais importantes na divulgação de uma marca”, afirma Ethel.

Jornalismo
Helena, que se formou em moda, destaca também os pré-requisitos voltados a quem tem um perfil mais jornalístico. “Para ser um bom assessor é necessário um bom texto, além de saber se relacionar com a imprensa. Também acho que sendo criativo e tendo abertura e confiança do cliente, o trabalho de um assessor flui melhor. Todas as áreas ligadas a comunicação são importantes para o trabalho de um assessor”.

Roberto Ethel acredita que a formação jornalística é importante e ajuda muito, mas que não é obrigatória como acontece também nas redações. “Muitos bons profissionais não tem a formação universitária de jornalista, mas aprenderam na prática”. E há algum desafio? “O maior hoje, com as crescentes mudancas tecnológicas e a velocidade cada vez maior no fluxo de informações, é manter a credibilidade e a confiabilidade, trabalhar dentro de uma ética jornalística”.

Estágio
Como em outras profissões, o estágio é uma forma de começar em grandes empresas, fazendo um pouco de tudo. Segundo Helena, as tarefas principais são clipagem (buscar as páginas em que saiu o seu cliente e montar uma pasta com todas as informações), escrever notas, reunir contatos para compor mailing, e follow-up, que é manter o contato diário com o jornalista para o acompanhamento de reportagens.

“Sempre é bom começar em cargos de atendimento, começar com o dia a dia de um cliente, conhecer os processos da informação de moda”, descreve Roberto. “Para ser bem sucedido: determinação, estudo, disponibilidade e muita vontade de crescer, se dedicar. E saber que moda não só glamour, é muito trabalho também”.

Clientes
Helena destaca o lançamento da marca Adriana Barra em 2002. “Começamos um trabalho quatro meses antes da loja abrir… Durante todo o processo, sempre existiu muita cumplicidade entre a designer e a assessoria! Como trabalhamos com mídia espontânea, o maior desafio é emplacar clientes pequenos, ainda não conhecidos pelo mercado, em veículos relevantes”.

Para Roberto é injusto falar de apenas um cliente. “Afinal, nestes mais de 20 anos, foram mais de 150 marcas que, de uma forma ou de outra, são cases. Fora do Brasil as relações são mais frias, menos emocionais. Hoje, com a profissionalização crescente, há mais métodos e processos, a informalidade nas reuniões e nos trabalhos diminuiu muito. Há muita seriedade, com briefings precisos, estratégias definidas, objetivos, o que não era comum anos atrás”, avaliou o diretor.

Ser um bom assessor é…
“Ser criativo todos os dias!” acredita Helena Augusta, e, para Roberto Ethel: “Ser realmente de imprensa: trabalhar como jornalista, dentro das percepções de mercado, ter ética para ter credibilidade, e cada vez mais ajudar a imprensa e o cliente com informações de destaque”, finalizou.

Vinicius Alencar, para o Chic

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