Moda é Comunicação

Uma peça de roupa não é tão simples como parece ser. Não nos vestimos apenas para cobrir o corpo. O ato de vestir não se revela algo automático, despido de significação. Antes de qualquer coisa, a roupa é comunicação. Para Barnard (2003), autor do livro Moda e Comunicação, a indumentária é um dos fatores que tornam as sociedades possíveis, visto que ela ajuda a comunicar a posição dos indivíduos. Por exemplo: reconhece-se imediatamente um policial, um mendigo, um juiz, um varredor de rua ou um militar por suas roupas, e todos sabem como se comportar diante de cada um deles. “Moda é comunicação, é mídia que se expressa visualmente. É também a carteira de identidade do cidadão, seu passaporte num mundo de culturas liquidificadas em novos amálgamas” (CASTILHO; GARCIA, 2001).

A moda, como meio de comunicação e como instrumento de construção de uma identidade, serve tanto ao indivíduo quanto a um grupo social inteiro. Sua mensagem, entretanto, só pode ser compreendida dentro de um contexto cultural. No livro Moda é Comunicação Garcia e Miranda (2005) observam que “consumir bens para adornar e recriar o próprio corpo significa fazer escolhas e afirmações que nos aproximam ou nos afastam dos outros e de nós mesmos”.

Diversos escritores utilizam diferentes áreas do conhecimento humano – como a sociologia, a psicologia, a semiótica e a antropologia – para tratar do fenômeno da moda de uma forma séria, profunda e inovadora. Para provar que moda é comunicação, muitos partem do princípio de que a condição humana inclui um conjunto de relações dinâmicas entre o homem e o seu meio material, inclui a necessidade básica de comunicação.

Considerando que “comunicar é criar e manter vínculos”, o look pode ser entendido como um processo comunicativo capaz de fomentar e documentar a cultura pela seleção de elementos distintos do sistema de moda. Quando fazemos uso da moda estamos nos comunicando, produzindo e respondendo aos estímulos que nos rodeiam. “Com a moda começa o poder social dos signos ínfimos, o espantoso dispositivo de distinção social conferido ao porte das novidades sutis” (LIPOVETSKY 1989).

Por Talita Bulhões para o Salto Agulha.

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